Chove para um caramba no sul. Na verdade essa parece ser a tônica dos últimos meses. Claro que nem sempre isso é bom, mas dessa vez eu gostei, afinal de contas eu voltei de viajem de trabalho essa semana e a chuva é uma ótima desculpa para eu não cuidar do quintal.
Fui para a academia na sexta e no sábado, e de resto apenas tive que preparar aula para essa semana, pois assumi uma nova disciplina no curso técnico (Torno e fresa).
O tema dessa postagem é uma das minha músicas favoritas do Pearl Jam - Alive. E esse final de semana descobri que ela não é o que eu pensava. Sempre achei que a letra se referia a uma afirmação de que contra tudo e contra todos o personagem da letra se mantém "Alive".
But Not... não é bem assim, pelo menos segundo um vídeo que assisti no you tube. No vídeo em questão, é dito que a música é a primeira de uma trilogia que conta uma fase marcante, e traumática na vida do vocalista da banda Eddie Vedder. Ou seja a música não é o que parecia ser.
Fiquei bolado com isso... pois a nossa vida é assim as vezes. Conhecemos pessoas que se mostram não ser quem esperamos, ou quem acreditamos ser. As vezes pessoas que conhecemos a décadas parecem ficar diferentes, ao ponto de não reconhecermos nelas o que nos fez ser amigos. Mas no fim, nós mesmos mudamos aos olhos dos outros e aos nossos próprios olhos. É nesse ponto que mais dói.
A gente sempre se define na adolescência. Para o bem e para o mal, me atrevo a dizer. Ou pelo menos á na adolescência que fazemos uma imagem de nós mesmos. Bom, a minha imagem tem caído por terra ano após ano. Mas será que fui eu que mudei, ou eu comecei a "sacar" quem eu sou de fato. Prefiro a primeira possibilidade.
Son, she said, have I got a little story for you
What you thought was your daddy was nothing but a–
While you were sittin' home alone at age thirteen
Your real daddy was dyin'
Sorry you didn't see him, but I'm glad we talked
Eu não tenho problema com a pessoa que eu me tornei, mas admito que as melhores coisas de mim ficaram para trás. Onde antes havia um cara louco para provar o seu valor, hoje sobrou um poço de ansiedade, e pouca esperança de reconhecimento. Eu era divertido... agora amadureci meio errado. Pareço um cão castrado que ainda quer marcar território no terreiro.
Claro que os relacionamentos também contribuem para isso. Deixei muito de minha essência de lado quando conheci minha esposa, mas eu sabia o que estava fazendo. Hoje reclamo disso, mas eu tinha consciência disso no passado.
A questão é... como conviver com isso? Tipo, devemos entender nossa nova identidade? Aceitar que somo tão efêmeros? Ou buscar de tempos em tempos aqueles traços que ficaram para trás? E se optarmos pela ultima dessas possibilidades, podemos afetar as pessoas que nos conhecem apenas na fase atual?
Para variar não tenho respostas. Apenas perguntas e mais perguntas, mas admito que as vezes eu me deixo levar pelo adolescente que eu fui... ouço rock em volume alto (apesar da minha perda de audição não aprovar tais comportamentos)... assisto filmes de terror antigos... dou umas respostas mais sarcásticas do que normal... e acima de tudo, exibo uma certa revolta em algumas falas. Isso tem me causado problemas kkkkk.
É foda envelhecer e não se reconhecer mais. É foda não reconhecer alguns amigos. É ainda mais foda ficar pensando em tudo isso... e não chegar a lugar nenhum.

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